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Afinal, o marketing segue ou define tendências?

  • Foto do escritor: Édson Britembach
    Édson Britembach
  • 10 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Como profissional de marketing, carrego um certo ceticismo: acredito que a conveniência dita o dia a dia da grande parte dos compradores. E ela se manifesta de diversas formas: 


  • Facilidade de compra: no fácil acesso e nas formas de pagamento. 

  • Agilidade de entrega: no tempo que leva para ter o produto ou serviço. 

  • Momento certo: na disponibilidade quando o consumidor mais precisa.


Não levar esses pontos em análise ao construir estratégias é um passo certo para o fracasso. Nesse cenário, entram em cena dois fatores cruciais: criatividade e inovação. São esses pilares que diferenciam uma marca e suas ofertas. É justamente a criatividade e a inovação que permitem às marcas entregar essa conveniência de forma surpreendente e memorável, destacando-se em um mar de ofertas. Tudo isso me leva a uma conclusão clara: o marketing é seguidor de tendências, não criador de tendências.


Por que o marketing segue tendências? 


Isso se deve aos seguintes fatores:


  • Seguimos necessidades humanas, não as criamos: Desde os nossos primórdios, as necessidades básicas existem. O marketing não as inventou. Ele segue essas tendências, adaptando-se e refinando a forma como são satisfeitas. Pense na comunicação: das pinturas rupestres ao meio impresso, ao telefone, às redes sociais e, mais recentemente, às plataformas de streaming. O mesmo padrão se repete na produção de alimentos, nos transportes e em tantas outras áreas.


  • Necessidades construídas das interações sociais: Saímos das necessidades básicas para aquelas que advêm de influências e evoluções contínuas do meio em que vivemos – dos pais, amigos, figuras públicas e autoridades que referenciamos. Desse ponto, surgem novas ideias e novas formas que se transformam em modas e modismos que queremos seguir. É aqui que os profissionais de marketing mais eficientes entram em cena para identificar, traduzir e comercializar essas novas necessidades e desejos.


O ponto que quero enfatizar é que profissionais de marketing podem vender tendências — e vendê-las muito bem. O marketing não inventou as necessidades e os desejos, mas segue a demanda, primeiro pela necessidade intrínseca e depois pelo processo natural de aprimoramento e diferenciação.


Mas afinal, Steve Jobs criou ou seguiu tendências? 


Durante muito tempo, confesso que via nele alguém que “criou” tendências — o computador pessoal, o celular inteligente, a música digital em um só clique. Mas quanto mais estudo o comportamento de consumo, mais percebo que ele talvez tenha feito algo ainda mais difícil: captou o que já estava no ar antes que os outros percebessem. A frase dele — “as pessoas não sabem o que querem até que você mostre a elas” — parece contradizer meu ponto de vista aqui, mas, no fundo, ela o reforça. Porque isso mostra que inovar não significa criar do zero — é traduzir uma necessidade mal resolvida em uma experiência tão bem construída que o consumidor finalmente a reconhece como “era isso que eu precisava”.


Isso reforça que o marketing raramente, ou nunca, consegue criar uma tendência do zero. A verdadeira genialidade do marketing reside em perceber as necessidades do consumidor. É dessa capacidade de ler os sinais, os dados, as insatisfações e os desejos latentes que somos capazes de entregar soluções que atendem e refinam a forma como essa necessidade é satisfeita. Se o marketing tentasse "definir" uma tendência sem que houvesse uma base comportamental ou uma necessidade real, o risco de fracasso seria imenso. Ele seria ignorado.


E para você, qual é o verdadeiro papel do marketing: ditar as regras do jogo ou ser um mestre em interpretar e amplificar o que já está latente no comportamento humano? Compartilhe sua visão nos comentários!

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